28/03/2025
Associação promoveu bate-papo no palco de Economia Circular com a presença do deputado estadual Bruno Zambelli (PL)
A Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST) promoveu um debate sobre legislação e políticas públicas voltadas para o plástico durante a Feira Plástico Brasil, no palco de Economia Circular e Reciclagem. O encontro contou com a participação do deputado estadual Bruno Zambelli (PL), da assessora de relações institucionais e governamentais da ABIPLAST, Magaly Menezes, do presidente do Instituto Soul do Plástico, Rui Katsuno, e do apresentador do podcast TalkPlast, Antônio Facin Júnior.
Magaly deu início ao bate-papo ressaltando a importância do evento para impulsionar a inovação e promover um novo olhar sobre o plástico na sociedade. “Vemos aqui empresas que acreditam que o plástico pode ser parte da solução. Ao contrário da visão amplamente difundida de que ele é um problema, o plástico é fundamental em diversos setores e pode ser gerido de forma sustentável. Como indústria, temos a responsabilidade de desenvolver soluções em parceria com o poder público e a sociedade. Esse debate é essencial para avançarmos na construção de políticas públicas eficazes e no fortalecimento da economia circular.”
A especialista da ABIPLAST destacou ainda o papel da indústria na implementação de novos modelos de produção e consumo, enfatizando que o plástico não deve ser tratado como vilão, mas como um material que exige gestão adequada para seus resíduos e investimento em reciclagem e reuso.
“Hoje, estamos diante de uma série de projetos de lei que propõem o banimento ou restrição do plástico. Muitas dessas propostas surgem por desconhecimento ou por serem vistas como soluções de curto prazo, apesar de diversas delas serem simplistas e inviáveis. No entanto, existem alternativas eficazes, como a desoneração da cadeia da reciclagem, já em discussão nos âmbitos estadual e federal. Precisamos de uma política nacional de economia circular e de iniciativas que incentivem a reciclagem e a logística reversa. A mudança de percepção sobre o plástico só acontecerá quando houver um esforço conjunto da indústria, do poder público e da sociedade”.
Complementando a discussão, Rui Katsuno reforçou a eficiência ambiental do plástico em comparação com outros materiais, desmitificando conceitos errôneos sobre o impacto do material. “O consumo de água na fabricação do plástico é mínimo, sendo utilizado apenas para resfriamento no processo de extrusão. Já a reciclagem de papel, por exemplo, pode demandar cerca de 60 litros de água por quilograma. Não se trata de demonizar um material ou outro, mas de usá-los da maneira mais eficiente. Proibir o plástico não é uma solução viável, pois ele está presente em praticamente tudo: na distribuição de água, na fiação elétrica, nos automóveis, nas roupas. O caminho está na educação, na inovação e na reciclagem.”
O debate reforçou o compromisso da indústria do plástico com o desenvolvimento de soluções sustentáveis e a importância de um diálogo estruturado com o poder público para garantir políticas que incentivem a reciclagem e a valorização dos resíduos.
Frente Parlamentar de apoio à economia circular
O deputado Bruno Zambelli também coordena a Frente Parlamentar de Economia Circular da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, iniciativa que busca incentivar negócios e políticas públicas sustentáveis. Entre os principais objetivos estão a proposição de legislações que promovam a economia circular e reduzam o impacto ambiental, o fortalecimento de parcerias entre os setores público e privado e a conscientização da sociedade sobre a importância do consumo consciente.
“Ainda estamos na fase embrionária da Frente Parlamentar, mas já realizamos reuniões produtivas, plantando as bases para avanços concretos. Uma questão essencial que precisa ser amplamente compreendida é a de que o plástico não deve ser tratado como um vilão. No passado, outros materiais também foram alvo de críticas e, hoje, são exemplos de sucesso na reciclagem, como latinhas, vidros e pneus. Poucos sabem, por exemplo, que dentro de uma lata há uma lâmina plástica, fundamental para seu uso adequado. No entanto, esse material é reciclado integralmente, e praticamente não se encontra mais latinhas descartadas nas ruas. O mesmo caminho pode ser seguido pelo plástico, como garrafas PET e sacolas plásticas”, afirma o deputado.
Zambelli destaca que um Projeto de Lei já está em fase final de elaboração e será apresentado na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Além disso, a proposta será levada ao Governo do Estado para discutir a tributação do plástico reciclado. “O plástico reciclado não pode ter a mesma carga tributária do material virgem. Precisamos criar incentivos para sua reutilização e ressignificação”, explica.
O presidente do Instituto Soul, Rui, ressalta que a ideia do Projeto de Lei surgiu a partir de interações nas redes sociais. “Começamos a visitar cooperativas e entender suas necessidades. Percebemos que era essencial legislar para fortalecer a economia circular, que não se baseia no descarte, mas no reuso e na ressignificação dos materiais. O plástico, quando descartado de forma inadequada, está no lugar errado, pois é 100% reciclável e gera renda para milhares de famílias. Para muitas cooperativas, ele representa até 70% da receita”, enfatiza.
A primeira sessão promovida pelo colegiado ocorreu na Alesp no dia 12 de março e contou com a presença do Presidente Executivo da ABIPLAST, Paulo Teixeira. “A criação da Frente Parlamentar de Economia Circular é um passo fundamental para impulsionar o debate sobre a gestão sustentável dos resíduos plásticos e promover políticas públicas que incentivem a reciclagem e a economia circular. Estamos comprometidos em colaborar com o poder público e toda a cadeia produtiva para estruturar soluções que ampliem a reciclagem e garantam a valorização dos materiais plásticos no Brasil”, conclui Paulo.